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domingo, 26 de dezembro de 2010

poem of the day: Sudden Light


DANTE GABRIEL ROSSETTI


Sudden Light

I have been here before,

But when or how I cannot tell:

I know the grass beyond the door,

The sweet keen smell,

The sighing sound, the lights around the shore.


You have been mine before,—

How long ago I may not know:

But just when at that swallow's soar

Your neck turn'd so,

Some veil did fall,—I knew it all of yore.


Has this been thus before?

And shall not thus time's eddying flight

Still with our lives our love restore

In death's despite,

And day and night yield one delight once more?

sábado, 9 de outubro de 2010

Literatura Portuguesa Contemporânea: Recomendações

Recomendo, para já, dois livros, que eu própria vou ler muito brevemente, uma vez que ainda tenho que esperar que cheguem a casa e que depois tenha tempo para os ler. Mas as premissas dos livros em si já fazem deles recomendações e pequenos oásis no deserto da literatura portuguesa, que embora sempre rica, nem sempre nos presenteia com o seu melhor. É preciso procurar bem, e para quem não conhece, ou nunca ouvi falar destes autores, porque não lê-los? Especialmente se gostarem de literatura anglo-saxónica, como eu que a amo profundamente. Estes dois autores estão ligados não só por laços emocionais, como também por laços literários e temáticos se quiserem, embora se expressem em formas literárias diferentes, mas sempre complementares, do meu ponto de vista. A poesia e o romance. Boas leituras, eu por mim sei que os vou ler, mais cedo ou mais tarde. São ambos publicados pela Relógio D'Água que, por sinal, é uma editora de muito bom gosto. Tenho tantos livros da Relógio D'Água que isso deve querer dizer qualquer coisa.


a) Hélia Correia - Adoecer




















b) Jaime Rocha - Necrophilia


domingo, 18 de abril de 2010

Poema do dia: Insónia

Hélia Correia

Insónia

Ouço o incêndio, as fábricas. O berço
do suor interrupto. Ouço às vezes quem se ama
onde o amor não há – apenas morre
no clandestino abrir.
Ouço às vezes quem rompe os mapas cerce
e então na noite recupera as loucas
emigrações da história. Ouço crescendo
secamente os filhos no rancor e na linfa.
Astuciosamente recolhendo as vastidões adversas.
Ouço em momentos fartos o entulho,
desdobrada a raiz, fundar o mês da heresia,
a sábia recriação do sumo.
Ouço o arado. A luz. Profundamente
os barcos segregados na propensão do mar.
Ainda quem a medo desagregue
a centenária paz:
- os homens,
onde os ouço, aqui recordo
as origens compradas do terror.
Os homens, onde os ouço, aqui confirmo
suas mãos.