sábado, 29 de maio de 2010

Poem of the day: Footprint on Your Heart

Gary Lenhart

Footprint on Your Heart

Someone will walk into your life,
Leave a footprint on your heart,
Turn it into a mudroom cluttered
With encrusted boots, children's mittens,
Scratchy scarves—
Where you linger to unwrap
Or ready yourself for rough exits
Into howling gales or onto
Frozen car seats, expulsions
Into the great outdoors where touch
Is muffled, noses glisten,
And breaths stab,
So that when you meet someone
Who is leaving your life
You will be able to wave stiff
Icy mitts and look forward
To an evening in spring
When you can fold winter away
Until your next encounter with
A chill so numbing you strew
The heart's antechamber
With layers of rural garble.

domingo, 23 de maio de 2010

Poema do dia

Pedro Tamen

Não sei, amor, sequer, se te consintoou
se te inventas, brilhas, adormeces
nas palavras sem carne em que te minto
a verdade intemida em que me esqueces.

Não sei, amor, se as lavas do vulcão
nos lavam, veras, ou se trocam tintas
dos olhos ao cabelo ou coração
de tudo e de ti mesma. Não que sintas

outra coisa de mais que nos feneça;
mas só não sei, amor, se tu não sabes
que sei de certo a malha que nos teça,

o vento que nos leves ou nos traves,
a mão que te nos dê ou te nos peça,
o princípio de sol que nos acabes.

sábado, 22 de maio de 2010

Novo Poema: espiral de estrelas

espiral de estrelas

tudo é simples.

as palavras são só palavras.
as mentiras são só mentiras.

os esconderijos são só esconderijos
onde nos resguardamos da correnteza
onde silenciamos as vozes.

os sonhos são só sonhos.
os buracos negros são só buracos negros.

a espiral de estrelas
quando estamos a ir ao fundo
do avesso

esta pele simples
pressente
que seremos mais fortes
mais cegos e mais surdos

a cegueira é só cegueira.
a surdez é só surdez.

estas sombras
que tens
dentro das mãos
onde pousas a cabeça
trair-te-ão sempre com simplicidade

Love



Se eu fosse um jogo de palavras...

Poema do dia: Shahid Reads His Own Palm

Reginald Dwayne Betts

Shahid Reads His Own Palm

I come from the cracked hands of men who used
the smoldering ends of blunts to blow shotguns,

men who arranged their lives around the mystery
of the moon breaking a street corner in half.

I come from "Swann Road" written in a child's
slanted block letters across a playground fence,

the orange globe with black stripes in Bishop's left
hand, untethered and rolling to the sideline,

a crowd openmouthed, waiting to see the end
of the sweetest crossover in a Virginia state pen.

I come from Friday night's humid and musty air,
Junk Yard Band cranking in a stolen Bonneville,

a tilted bottle of Wild Irish Rose against my lips
and King Hedley's secret written in the lines of my palm.

I come from beneath a cloud of white smoke, a lit pipe
and the way glass heats rocks into a piece of heaven,

from the weight of nothing in my palm,
a bullet in an unfired snub-nosed revolver.

And every day the small muscles in my finger threaten to pull
a trigger, slight and curved like my woman's eyelashes.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Álbum do Mês: Pain of Salvation - Road Salt One






















Acho que não há nada no mundo que eu goste mais para além de livros e música. Acho que isso é bastante claro em relação ao que eu sou. Recentemente, num espaço de alguns meses, a banda sueca Pain of Salvation passou de uma banda que ouvia esporadicamente para uma banda da qual me tornei fã. Para muito contribuiu este "Road Salt One" que me ajudou na reconciliação com alguns álbuns passados da banda. Na verdade, e talvez o destino tenha destas coisas, o que me faltava para realmente gostar desta banda era dar tempo ao seus álbuns, deixá-los entrar-me pela pele e pelo ouvido adentro e ouvi-los. Ouvi-los muitas vezes. Isto aconteceu com todas as bandas das quais sou hoje fã, tive de ouvir os álbuns muitas vezes, e não é só por ser música progressiva, é porque álbuns especiais não são para ouvidos treinados para ouvir. No fundo, eu sou fã de bandas como os Pain of Salvation porque eles não fazem álbuns para o ouvido treinado e mecanizado, fazem arte em forma de música e letras ligadas num só meio expressivo, libertam fantasmas e partilham com quem esteja disposto a ouvir e a sofrer com eles, a reviver os sentimentos que eles nos lançam. Quando temos a coragem de os agarrar, como é o caso, posso não ser corajosa em muitas outras coisas, mas no que diz respeito à música, eu dou o peito às balas inocentemente, sempre procurando aquele sentimento primitivo. Na nossa vida há coisas que nos mudam, há coisas que respeitamos por serem belas, há coisas que respeitamos porque nos tornam melhores, há coisas que respeitamos porque ajudam a fechar a ferida. Sim, é verdade que álbuns como "Entropia", "The Perfect Element, Part I" e agora o "Road Salt One" colocam o dedo na ferida, abrindo e remexendo lá dentro, mas tão contraditoriamente ajudam na catarse pela intensidade sentimental que revelam. Sou muito sensível a este tipo de bandas e álbuns. E é por isso que decidi destacar mais uma banda, que acaba por ser não mais uma, mas uma banda que se destaca das outras, principalmente pela verdade que emana da sua vasta discografia. E a verdade é sempre desvalorizada quando se fala de música, na minha opinião, raramente desvalorizada. Oiçam o álbum e depois quero ver quem tem a coragem de me dizer que a verdade não interessa. "Road Salt One", um dos melhores álbuns do ano e nem sequer estamos a falar de metal. E nem esse tipo de conversa faz sentido porque os Pain of Salvation sempre foram mais do que uma banda de metal progressivo, sempre foram mais do que um estado musical fixo. E vão sê-lo sempre, com ou sem o reconhecimento daqueles que ainda têm coragem de ouvir música.
Ah, e vou fazer essa coisa impensável que é comprar o CD original. Eu sei que quando digo isto as pessoas começam a julgar-me e vêem em mim uma pessoa louca e desactualizada. Mas para mim, o melhor do presente não é um mp3 e um iPod e um Blackberry que podem levar 10 mil músicas que roubamos na net. O melhor é mesmo ainda haver bandas que lançem um disco físico, que possa ser comprado nas lojas, que tenha um booklet e artwork e as letras que a banda escreveu, e quem compôs as músicas e quem tirou as fotografias para o booklet, e o símbolo da banda no CD e o alinhamento de canções na parte de trás do CD, e os agradecimentos da banda à família e aos fãs que ainda compram o CD.


Road Salt One, song "She Likes to Hide":
Cause I am where I like to hide
I am where I like to hide

domingo, 16 de maio de 2010

Quote of the day: Conrad

“The belief in a supernatural source of evil is not necessary: men alone are quite capable of every wickedness”

Joseph Conrad