música, literatura, poesia, metal, rock, poetry, literature, music, heavy metal, rock music, progressive music, música progressiva, escrita, livros, writing, books
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Regresso a um passado mais recente: ruídos
Going back to the past - old poems: gry
gry
there is a time in our lives where we recognize ourselves.
and then we ask ourselves: what have i been doing so far?
protecting myself.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Os Meus Poemas: coisas concretas
coisas concretas
as coisas muito concretas
que parecem alucinações
quando olhamos para elas e nos afastamos
daquilo que é poesia
e daquilo que são corpos pregados num céu sem estrelas
feito a partir de retalhos e remendos dos contos que me contas
com os olhos fechados
para o mundo
e se agora me atingisse um relâmpago
quando estou a acordar
e a ser engolida pela noite
uma coisa concreta
mas impalpável
tudo se transformaria
numa coisa desfeita
e dolorosa
aquilo que escondemos
por entre sorrisos abertos
e momentos transitórios
colocar-nos-á um pouco mais longe
do que vemos reflectido
e a sensação com que ficamos
é que as coisas concretas
não nos deixam ser aquilo que queremos
sábado, 5 de fevereiro de 2011
My poems: naming things
naming things
why did you shut the lights?
I was watching the birth of your face
the music coming out of your lips
and now there is only a dance of shadows
who don’t belong
let’s not name our feelings for now
there is no need to scare them away
with words
we don’t need to think about what’s to come
or predict it
the moments will end up discovering themselves
let’s not open ajar boxes
let’s not keep them
intact
we can promise that we will never stay the same
and break that promise
because it is so easy to fall apart
but not as easy as turning the lights on again
there is so much more that we can see
when there is no pain involved
the process of acknowledgement of one another
is completed when we are quiet
and exposed
and everything that can be uncovered
deserves to be
and maybe we will find ourselves that way
when we least expect
and start living at once
because what else is there to learn
about intimacy
that doesn’t force us to be closer?
why should we wait?
sábado, 15 de janeiro de 2011
Os Meus Poemas: encarar o livro de frente
encarar o livro de frente
podia até chorar
por um livro
que estivesse em cima da mesa
a servir de amparo
para as horas em que encaro a vida de frente
estou a ter dificuldades
em acalmar sentimentos
em conseguir viver os pensamentos
que estão a dar passos na minha memória viva
mas de que vale chorar
se as vozes estridentes
vieram para ficar
e as palavras que estão dentro dos livros
correm umas atrás das outras
na minha direcção
para me matar
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Os Meus Poemas: 29/11/10
só espero que o que te leve
seja o vento
e não a tempestade
que assola o meu coração
que já não sente
a passagem do dia para a noite
já que todos os ruídos se calaram
com a solenidade do momento
e as sobrancelhas se fecharam
à luz que a perspectiva de um novo dia que poderá existir
sintamos então esta mágoa de português
e preparemo-nos para o velório
agora que novamente se torna claro
a inaptidão de quem está de partida
sentir que fazes falta
e ouvir mil explosões no ar
continuadamente
a adoecer
e nada faz o tempo parar
o tiquetaque das pessoas que agora se preparam
para se despedir
e reparam
que de nada vale um sorriso fechado
um abraço sentido
uma palavra ao ouvido
de nada vale querer sentir
o que não pode ser sentido
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Os meus poemas: A passagem de Deus
Um dia vou fazer-me passar por um Deus anónimo
e tocar nas mãos virgens dos dissidentes
e mentir-lhes ao ouvido,
sussurrando imagens de sangue e de anarquia
Nas minhas parcas vestes
enterrarei um punhal de arrependimento
em vez de um mandato de paz
e bastará uma palavra
de incentivo à violência
para que se dê a guerra santa
De pés descalços a arder no fogo da terra
espalharei impunidades e crenças invisíveis
e deixarei que outros ardam na fogueira
tão-somente por suspeição
Não revelarei o meu preconceito de género
nem o meu conceito de igualdade
para não ferir susceptibilidades
mas rezarei por todos como se fossem iguais
sofrerão todos a mesma dor
sonharão todos com o mesmo apocalipse
Darei uma dentada na maçã da vida
e tentarei padecer do mesmo mal que os cristãos
não ordenarei divisões, apenas segregações
comandadas pelo poder
Far-se-á justiça com as próprias mãos
com a minha permissão
e o futuro será risonho
para os pecadores
e severo para os combatentes
Deixo para trás um livro
cheio de palavras verdadeiras
que serão o espelho de uma sociedade
à minha imagem e semelhança
E no final dos tempos
vão todos passar ao largo da minha memória
e tudo isto parecerá
um mero acto de auto-flagelação.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
My poems: dark waters
don’t get near me
you might damage me
and once the damage is done
we can never go back
these dark waters
where you found me by myself
eating away at time
reminiscing
allow me to float
wander
find protection
and I came back here
because somehow
it always makes me realise
that belonging
is being part of a bigger lie
that it is nothing but a haze
similar to the ones you feel
when someone is trying to fix you
instead of embracing you with hope
you will not find me here again
you will not be able to open me with a key anymore
watch me as I dive again
far away from you
terça-feira, 26 de outubro de 2010
My poems: everyday cruelty
how much more cruel can you be
how much more insane
in the one-dimensional brain
that exhales nothing but rage
for your humankind
while you hang on to everything you possess
even though it’s only a fallible monetary value
your life chews away at you
as if toying with the hypothesis of an afterlife
and the psychosis that’s been your home
the place where you belong
and suffer
will never wither
as long as you keep staying faithful to your death wish
never mind the self-destruction appeal
whatever you might feel
or whomever you might call
will not be trustworthy enough
to make you comfortable in your own skin
all your thoughts are barred
now that you find yourself
lost
with no reproach
more alone than you have ever been
and more prone to error than everybody else
but you are no accuser
your end is not taking place
you place your hand on your face
you are now a believer
that the truth will come
buried in someone else’s dream
just a word away
domingo, 17 de outubro de 2010
Meus poemas: úteros invisíveis
vamos abraçar-nos
aqui
entre o frio
e as dúvidas que carregamos
as pétalas que dividimos
constrangidos um pelo outro
vão acabar desfeitas
em promessas
de pessoas que não podemos ser
pessoas que nunca vamos ser
abracemo-nos, porém,
enquanto o sentimento de culpa
não nos traz chagas
que não queremos invocar
vamos esperar mais um dia
pode ser que venha a claridade
e nos faça deixar de temer
o que abandonámos há muito tempo
as pequenas mortes diárias
o delírio constante
que nos faz achar que estamos unidos
por um qualquer sentimento
que nos devolve a sensação
de estarmos no útero
a ser protegidos
por uma invisibilidade
controlada pelos bocejos do silêncio
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Os meus poemas: diminuir a luz
esta é apenas mais uma preocupação nocturna
como todas as outras
que nos acompanham
quando estamos a adoecer
quando esta voz
se instala
no peito adormecido
e faz diminuir a intensidade
das palpitações
do coração que está de fora
ela é mais do que uma palavra espelhada noutra
é mais medrosa do que isso
e a certeza que transparece
a certeza de estar a ser transformada
por uma espécie de portão
que se abre à minha frente
e assinala uma passagem dolorosa
faz-me temer o confronto
num espaço periclitante
entre os passos que dou
e os sons dos passos dos outros
receio a minha identidade
tanto como a minha clarividência febril
e na debilidade própria da lucidez
falta-me a fragilidade
para ser funâmbula
sábado, 9 de outubro de 2010
My poems: decomposition
I want to tell you the truth:
I have been waiting for you
to give me the knife
watch my mind
in decomposition
and open a new door
where you won’t enter
at least physically
watch time disappear
between the passing moments
we did not share
raise your dead hand
in confirmation
and tell me
what’s inside me
that needs to be freed
the truth is
none of these dreams
make me wash the blood off my hands
I have been waiting for you
to erase me
I have been waiting for you
to suffocate me
but the truth
is that the mirrors within
obfuscate
disintegrate
what’s always been concealed
in a black light
behind the closed eyes
the isolation madness
the barrier
where I catch what you said
between portraits and hands
and passion habits
a journey that will take me
to a severed place
which is so familiar
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
My poems: the spiteful
I close my eyes
when you lie
beside me
during sleep
it is grief
now that you’re inside me
in belief
let’s relive the past
once and for all
and be spiteful
there’s nothing quite like the morning dew
when it’s being swallowed whole
in a sort of darkness
that resembles us
what we are
now that it’s too late to stop
too late to stop the stains
is nothing like a symbiosis
but it is always a reminder
of what might have been
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Os meus poemas: my old poems - auguries of innocence
Some are Born to sweet delight,
Some are Born to Endless Night.
We are led to Believe a Lie
When we see not Thro the Eye
Which was Born in a Night to perish in a Night,
When the Soul slept in Beams of Light.
God appears, and God is light
To those poor Souls who Dwell in Night,
But does a Human Form Display
To those who Dwell in Realms of Day.
Auguries of Innocence, William Blake (1803)
auguries of innocence
o que acontece quando vemos o mundo?
o que acontece quando percebemos que o mundo é um cavalo
de flores com o inferno à volta da cintura?
o que acontece quando deixamos de o sentir
na palma da nossa mão?
quando o mundo e as suas formas nascem de novo em todas as noites.
o que diz o mundo que seja verdade?
o que o mundo me sussurra ao ouvido, com a mão sobre o meu ombro,
é tudo inventado.
o que acontece quando sentimos o mundo?
o que acontece quando deixamos sair dos olhos a inocência?
o que acontece quando sabemos que o mundo é uma estrada de areia?
o que acontece quando deixamos que o mundo nos minta?
o que é que nos diz o mundo que possamos ver?
o que acontece no mundo quando o mundo que achamos ser mundo
é a raiva e o espírito do sangue humano.
quando fomos um mundo que existiu
exclusivamente dentro de nós.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
My poems: a road to cross
I built a road to cross
an infinite road of hope
and commonness
at the end of the road
there’s me waiting
the other me
an egotistical self born of pain
I expect certain things to happen
I predict my intelligence will wither
when I cross
and reach the other side
I expect someone to tell me to stop
like someone always does
when I cross
I predict I will find a scar
inside of me
and smile
others will be able to hear
my steps into vertigo
my collapse
the irony of it all
and when I cross
I know what I will find
pointing a gun at my face:
my future.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Meus Poemas: fóssil
a angústia
do fim do dia
faz-me perceber
o quanto tudo é frágil
e insignificante.
o que agora sinto
será transformado
em algo pior
quando acordar
noutro tempo
anterior ao Cretáceo
onde nada se sentia
onde tudo era pó sangrento
de sobrevivência primitiva
quem me dera poder voltar
a ser um fóssil
do que sou
do que me tornei
depois de ter conseguido sentir
serei imortal, sim,
pelos vestígios que deixo
os meus ossos
mas nunca serei imortal
por ter uma voz
que ninguém cala
com ameaças de morte
posso até estar aprisionada
mas isso nada significará
para quem me conseguir ver
a 95 milhões de anos de distância
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
formas inesperadas
formas inesperadas
assume várias formas inesperadas
domingo, 25 de julho de 2010
My poems: old and used
old and used
and we don’t speak now.
we have nothing to say to each other
but goodbye
we have nothing to share
but hurt
when you open your mouth to speak
the world turns to slow motion
and your words come out blurred
like the lines of your face now
there is no longer the usual comfort
you’re slowly becoming painful
like the movement I have to make to exhale the cigarette smoke
the light in our room
is growing darker
i don’t need to see you now.
i can’t see you.
and then we cry.
countless silences between us
instead of love
we’re old and used
decaying
half-blind
half-deaf
holding each other’s broken empire
letting each other down
pretending