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domingo, 13 de junho de 2010

Books I'm reading: Contra Salazar


Depois de ter lido uma "mémoire", das poucas que li na vida até agora, regresso à poesia, a um lugar familiar: Fernando Pessoa. E porque eu papo tudo que sai sobre Fernando Pessoa, tinha de ler este também, mesmo achando que só me trará algumas gargalhadas. Talvez o que lá encontre me surpreenda. Depois desta ainda não sei o que vou ler, talvez me volte para poetas estrangeiros novamente. Time wil tell.

sábado, 12 de junho de 2010

Poema do dia: Meu Pobre Portugal

Fernando Pessoa

Meu Pobre Portugal

Meu pobre Portugal,
Dóis-me no coração.
Teu mal é o meu mal
Por imaginação.

Tão fraco, tão doente,
E com a boa cor
Que a tísica põe quente
Na cara, o exterior.

Meu pobre e magro povo
A quem deram, às peças,
Um fato em estado novo
Para que o não pareças!

Tens a cara lavada,
Um fato de se ver
Mas não te deram nada,
Coitado, que comer.

E aí, nessa cadeira,
Jazes, apresentável.
O transeunte amável.

domingo, 23 de maio de 2010

Poema do dia

Pedro Tamen

Não sei, amor, sequer, se te consintoou
se te inventas, brilhas, adormeces
nas palavras sem carne em que te minto
a verdade intemida em que me esqueces.

Não sei, amor, se as lavas do vulcão
nos lavam, veras, ou se trocam tintas
dos olhos ao cabelo ou coração
de tudo e de ti mesma. Não que sintas

outra coisa de mais que nos feneça;
mas só não sei, amor, se tu não sabes
que sei de certo a malha que nos teça,

o vento que nos leves ou nos traves,
a mão que te nos dê ou te nos peça,
o princípio de sol que nos acabes.

domingo, 2 de maio de 2010

Poema do dia: Com os Mortos

Antero de Quental

Com os Mortos

Os que amei, onde estão? Idos, dispersos,
arrastados no giro dos tufões,
Levados, como em sonho, entre visões,
Na fuga, no ruir dos universos...

E eu mesmo, com os pés também imersos
Na corrente e à mercê dos turbilhões,
Só vejo espuma lívida, em cachões,
E entre ela, aqui e ali, vultos submersos...

Mas se paro um momento, se consigo
Fechar os olhos, sinto-os a meu lado
De novo, esses que amei vivem comigo,

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,
Juntos no antigo amor, no amor sagrado,
Na comunhão ideal do eterno Bem.