domingo, 29 de maio de 2011

Poem of the day: The Republic of Dreams

The Republic of Dreams

She lay so still that
as she spoke

a spider spun a seamless web
upon her body

as we spoke
and then her limbs came loose

one by one
and so my own

segunda-feira, 16 de maio de 2011

End of the Road: May Issue



Interview with Portuguese band Switchtense, album reviews and other articles. Always done with great effort and dedication. Our little contribution to the world. Enjoy.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Poema do dia: Escolha


Escolha

Quando é que enfim nos dispomos
A morrermos lado a lado?
Bons ou maus, o que nós fomos,
Nessa escolha transmudado,

Será só brisa da aurora
Que de nós sobe à cidade,
Quando no sangrar da hora
Reflorir a liberdade.

Fonte: Poema de Horas de Vidro

terça-feira, 10 de maio de 2011

Conhecendo Alice Vieira: quatro poemas


Alice Vieira

a) 2

como dizer aos meus olhos que se afastem
do incêndio que lavra a oriente do teu sangue
rasgando a minha fome

e me protejam nesta imperfeita madrugada
em que as línguas dos homens e dos anjos
se confundem

b) 1

de tudo o que era meu deixo-te o fogo
os resíduos do tempo a ferida gangrenada
o palato onde a língua se desvenda
nos ritos obscuros da morte

deixo-te ainda o declínio dos lugares
onde as vozes amadas se perderam para sempre
e o eco das palavras desgarradas ao meio-dia
quando os cães ladravam
no calor dos pátios clandestinos

- e aquele estranho lugar no coração
aberto sempre a quem chegava mesmo quando
não sabíamos o seu nome

c) 5

a língua sobre a pele o arrepio
os teus dedos nas escadas do meu corpo

as lâminas do amor o fogo a espuma
a transbordar de ti na tua fuga

a palavra mordida entre os lençóis
as cinzas de outro lume à cabeceira

da mesma esquina sempre o mesmo olhar:
nada do que era teu vou devolver

d) 6

entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

Fonte: excertos de Dois Corpos Tombando Na Água