coisas concretas
as coisas muito concretas
que parecem alucinações
quando olhamos para elas e nos afastamos
daquilo que é poesia
e daquilo que são corpos pregados num céu sem estrelas
feito a partir de retalhos e remendos dos contos que me contas
com os olhos fechados
para o mundo
e se agora me atingisse um relâmpago
quando estou a acordar
e a ser engolida pela noite
uma coisa concreta
mas impalpável
tudo se transformaria
numa coisa desfeita
e dolorosa
aquilo que escondemos
por entre sorrisos abertos
e momentos transitórios
colocar-nos-á um pouco mais longe
do que vemos reflectido
e a sensação com que ficamos
é que as coisas concretas
não nos deixam ser aquilo que queremos