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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Os Meus Poemas: coisas concretas

coisas concretas


as coisas muito concretas

que parecem alucinações

quando olhamos para elas e nos afastamos


daquilo que é poesia


e daquilo que são corpos pregados num céu sem estrelas

feito a partir de retalhos e remendos dos contos que me contas

com os olhos fechados

para o mundo


e se agora me atingisse um relâmpago

quando estou a acordar

e a ser engolida pela noite

uma coisa concreta

mas impalpável


tudo se transformaria

numa coisa desfeita

e dolorosa


aquilo que escondemos

por entre sorrisos abertos

e momentos transitórios

colocar-nos-á um pouco mais longe

do que vemos reflectido


e a sensação com que ficamos

é que as coisas concretas

não nos deixam ser aquilo que queremos

sábado, 5 de fevereiro de 2011

My poems: naming things

naming things


why did you shut the lights?

I was watching the birth of your face

the music coming out of your lips

and now there is only a dance of shadows

who don’t belong


let’s not name our feelings for now

there is no need to scare them away

with words


we don’t need to think about what’s to come

or predict it

the moments will end up discovering themselves


let’s not open ajar boxes

let’s not keep them

intact


we can promise that we will never stay the same

and break that promise

because it is so easy to fall apart

but not as easy as turning the lights on again


there is so much more that we can see

when there is no pain involved


the process of acknowledgement of one another

is completed when we are quiet

and exposed


and everything that can be uncovered

deserves to be


and maybe we will find ourselves that way

when we least expect

and start living at once


because what else is there to learn

about intimacy

that doesn’t force us to be closer?


why should we wait?

sábado, 15 de janeiro de 2011

Os Meus Poemas: encarar o livro de frente


encarar o livro de frente

podia até chorar

por um livro

que estivesse em cima da mesa

a servir de amparo

para as horas em que encaro a vida de frente

estou a ter dificuldades

em acalmar sentimentos

em conseguir viver os pensamentos

que estão a dar passos na minha memória viva

mas de que vale chorar

se as vozes estridentes

vieram para ficar

e as palavras que estão dentro dos livros

correm umas atrás das outras

na minha direcção

para me matar

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os Meus Poemas: 29/11/10

29/11/10

só espero que o que te leve
seja o vento
e não a tempestade
que assola o meu coração
que já não sente
a passagem do dia para a noite

já que todos os ruídos se calaram
com a solenidade do momento
e as sobrancelhas se fecharam
à luz que a perspectiva de um novo dia que poderá existir
sintamos então esta mágoa de português
e preparemo-nos para o velório
agora que novamente se torna claro
a inaptidão de quem está de partida

sentir que fazes falta
e ouvir mil explosões no ar
continuadamente
a adoecer

e nada faz o tempo parar
o tiquetaque das pessoas que agora se preparam
para se despedir
e reparam
que de nada vale um sorriso fechado
um abraço sentido
uma palavra ao ouvido

de nada vale querer sentir
o que não pode ser sentido

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

My poems: dark waters

dark waters

don’t get near me
you might damage me
and once the damage is done
we can never go back

these dark waters
where you found me by myself
eating away at time
reminiscing
allow me to float
wander
find protection

and I came back here
because somehow
it always makes me realise
that belonging
is being part of a bigger lie

that it is nothing but a haze
similar to the ones you feel
when someone is trying to fix you
instead of embracing you with hope

you will not find me here again
you will not be able to open me with a key anymore
watch me as I dive again
far away from you

domingo, 17 de outubro de 2010

Meus poemas: úteros invisíveis

úteros invisíveis

vamos abraçar-nos
aqui
entre o frio
e as dúvidas que carregamos

as pétalas que dividimos
constrangidos um pelo outro
vão acabar desfeitas
em promessas
de pessoas que não podemos ser
pessoas que nunca vamos ser

abracemo-nos, porém,
enquanto o sentimento de culpa
não nos traz chagas
que não queremos invocar

vamos esperar mais um dia
pode ser que venha a claridade
e nos faça deixar de temer
o que abandonámos há muito tempo
as pequenas mortes diárias
o delírio constante
que nos faz achar que estamos unidos
por um qualquer sentimento
que nos devolve a sensação
de estarmos no útero
a ser protegidos
por uma invisibilidade
controlada pelos bocejos do silêncio

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os meus poemas: diminuir a luz

diminuir a luz

esta é apenas mais uma preocupação nocturna
como todas as outras
que nos acompanham
quando estamos a adoecer

quando esta voz
se instala
no peito adormecido
e faz diminuir a intensidade
das palpitações
do coração que está de fora

ela é mais do que uma palavra espelhada noutra
é mais medrosa do que isso

e a certeza que transparece
a certeza de estar a ser transformada
por uma espécie de portão
que se abre à minha frente
e assinala uma passagem dolorosa
faz-me temer o confronto
num espaço periclitante
entre os passos que dou
e os sons dos passos dos outros

receio a minha identidade
tanto como a minha clarividência febril
e na debilidade própria da lucidez
falta-me a fragilidade
para ser funâmbula